Estava pensando hoje como as pessoas tem tratado a morte
alheia com piadas!
Percebi esse
comportamento, primeiramente, com o acidente que ocasionou na morte de Eduardo
Campos, instantes antes de se confirmarem a morte dele via as pessoas
apreensivas pela notícia final, seja pessoalmente aqui no Colégio Ideia, seja
virtualmente através dos comentários angustiantes das pessoas no Facebook, pois
era por lá e pelo site da Globonews que eu acompanhava, a cada minuto e cada
postagem, as últimas informações.
Pois então foi necessário, apenas, a confirmação da morte
para que as piadas começassem Mas pior que as piadas, só as teorias
conspiratórias de que fora um atentado contra o ex-governador de Pernambuco.
Já tinha ficado inquieto com o comportamento das pessoas, não
que eu seja um santo que nunca fiz piada com a morte de alguém, mas acredito
que pelo fato de Campos ser a pessoa pública e alvo de piadas “mais próxima” a
mim, senti que eu deveria respeitar (mesmo que aparentemente, depois de alguns
dias, a impressão era de que nem a própria família respeitou) a dor dos parentes.
Ontem (24/08) à noite recebi num grupo do Whatsapp a foto de
uma pessoa, na qual a dúvida de quem postou era se o “cara” da foto tinha sido
um irmão de farda que serviu ao CPOR/R comigo no ano de 2006. De imediato reconheci
quem era na foto, era Henrique, tinha estudado num outro colégio na mesma época
que eu estudava, terminou o Ensino Médio um ou dois anos antes de mim, mas
tinha servido ao mesmo CPOR/R que eu, na mesma arma INFANTARIA, exatamente um
ano antes de mim, e o rosto dele me era muito familiar, pois várias pessoas que
eu conheço também o conheciam.
Logo que liguei o computador hoje, vi mensagens de alguns
desses amigos em comum lamentando a morte dele e lembrando de momentos que,
tenho certeza, que jamais esquecerão, e esta será a imagem que guardarão
daquele cara de quem tanto gostavam. No entanto, no final da tarde, me deparei
com pessoas fazendo piadas a respeito da sua morte (segundo as informações,
teve uma parada cardiorrespiratória numa rave em Maria Farinha), dizendo que
deveria ter sido a Coca-Cola, ou o tira-gosto, mas em momento algum pararam pra
pensar se algum amigo próximo ou parente de Henrique iriam ter acesso a esses
comentários e não se sentiriam respeitados nesse momento de dor.
Com isso tudo, fiquei pensando o quão estamos banalizando as
mortes e dores de pessoas desconhecidas, procurando justificava para todas: “ah,
era um drogado”, “mas ele merecia, matou não sei quantos”, “ele procurou!”, “acho
é pouco”... são alguns dos comentários mais feitos pelas pessoas quando se
depara com uma notícia parecida.
Não, essas desculpas para comentar pejorativamente a morte
alheia não são engraçadas e nem cabidas no momento que amigos e familiares
estão sentindo a dor da perda!